PROFESSORE(A)S DE HISTÓRIA SÃO DOUTRINADORES?

Fundamental entender que a histórias das sociedades, em todos os tempos, estão cheias de doutrinas.  Assim, não é possível conhecer uma sociedade do passado sem passar pelas doutrinas que a nortearam. Por isso que as aulas de História devem ensinar as diversas doutrinas que existem no mundo, com seus inúmeros sistemas de pensamento e formas de entender a realidade.

Faz parte do currículo escolar de História explicar aos alunos o que são “doutrinas”. Uma doutrina, a sociedade está cheio delas, consiste em um “conjunto coerente de ideias de um sistema filosófico, político, religioso ou econômico a serem transmitidas ou ensinadas” (conforme os dicionários da Língua Portuguesa). Cada doutrina, com o seu corpo de ideias, tem uma interpretação das coisas, seja no âmbito político, religioso, econômico entre outros. 

Aqueles que acusam os professores de história de doutrinação continuam acreditando, como alguns historiadores do século XIX, que é possível escrever a história como “ela realmente aconteceu”. Em outras palavras, acreditam que existe uma forma de ir ao passado e produzir sobre ele uma narrativa que seja puramente descritiva, sem qualquer tipo de mediação, sem qualquer interferência de natureza política ou ideológica, quase como um computador.

Isso simplesmente não existe. Hoje a “nova história” foi corrigir um enorme erro nas narrativas que eram ensinadas aos alunos e alunas no passado. Ela trouxe diálogo e múltiplos olhares para sala de aula, tornando o ensino de história muito mais interessante e próximo da realidade dos alunos. E, não há nada de doutrinação nisso.      

Fontes e Imagens: Café  história

EMPATIA É ENSINADA NAS ESCOLAS DA DINAMARCA

Foto de Olia Danilevich no Pexels

A Dinamarca, classificada como o segundo país mais feliz do mundo. Os dinamarqueses acreditam em amor, amizade e riso, são muitos compassivos, a empatia e sentimentos de afeição um pelo outro são valores fundamentais para a Dinamarca ser um lugar próspero de paz.

Lá foi criada uma estratégia  para sustentar uma cultura de amor e cuidado genuíno de um pelo outro. Eles incorporaram a empatia como um valor no currículo nacional, criando meios incríveis e criativos para ensinar às crianças o que significa entender e compartilhar sentimentos. As crianças também são ensinadas a lidar com vários estados emocionais, desenvolvendo a capacidade de identificar sentimentos que normalmente não entenderiam.

Foi criado o Kit de Treinamento Afetivo Cognitivo (CAT), que é um programa com ferramentas e materiais visuais, interativos e personalizáveis ​​que permitem que as crianças se comuniquem efetivamente entre si e com os adultos.

Cuidar de crianças com empatia contribui para tornarem-se adultos bem-sucedidos, mentalmente estáveis ​​e emocionalmente capazes. Elas aprendem a ser sensíveis aos sentimentos dos outros e a interagir com confiança na sociedade. Outros sistemas educacionais ao redor do mundo podem incorporar esses métodos dinamarqueses e também criar novos meios para ensinar as crianças a serem perspicazes e generosas entre si.

Fontes e Imagens: Pensar Contemporâneo, Pexels

UMA BIBLIOTECA QUE INVÉS DE LER, TU OUVES HISTÓRIAS DE PESSOAS

Minha linda amiga, Cejane, me enviou uma matéria do Instagram sobre as “bibliotecas humanas”. Fiquei fascinado, trata-se de um projeto que existe há mais de 20 anos (2.000), é uma plataforma na Internet, a Human Library, de aprendizagem sem fins lucrativos, que hospeda conversas pessoais destinadas a desafiar o estigma e os estereótipos. 

O acervo de “livros humanos” estão em forma virtual ou em apresentações em bibliotecas com hora marcada, como na Biblioteca de Albertslund, em Copenhague, na Dinamarca. Ela conta com assuntos relacionados a experiências vividas pelas pessoas que vão contar a sua história. A biblioteca trabalha com grupos de voluntários que são estereótipos da sociedade, como minorias sexuais, religiosas e até raciais. Lá você em vez de pegar um livro emprestado, você pode ouvir a história da vida, por 30 minutos, contada por uma pessoa ao “vivo e a cores”. O objetivo desse projeto é combater o preconceito.

Você também pode ter sua história de vida  selecionada e publicada na biblioteca humana, basta para isso que você se inscreva no site (sítio) da Human Library Organization, preenchendo e respondendo algumas perguntas em um formulário, para vê-lo  clique aqui

Gostei tanto dessa ideia que estou pensando em oferecer três vezes por semana conversar, sem cobrar nada, com pessoas sobre a minha experiência de ser um Andante Digital através de um aplicativo que é um calendário em que as pessoas marcam o encontro com dia e hora, em uma agenda que eu disponibilizo no site [sítio) e nas redes sociais. Vou pensar nisso com atenç

Fontes e Imagens: Carlos Pojo Rego, Curta Mais

PESSOAS FELIZES NÃO PRECISAM CONSUMIR

Serge Latouche, filósofo, nascido na França há 70 anos, o ideólogo do decrescimento, estudou como nossa sociedade criou uma religião em torno do crescimento e do consumismo. Latouche salienta que o ritmo atual de crescimento da economia global é tão insustentável como a deterioração e a falta de recursos no planeta.

Na sua opinião, se a queda do crescimento não for controlada, “a queda que já estamos experimentando” será o resultado do colapso de uma forma insustentável do capitalismo, e também será excessiva e traumática.

A partir de um projeto qualificado como “ecossocialista”, além de consumir menos, a sociedade deve consumir melhor, para qual propôs que se produzisse perto de onde mora e de forma ecológica evitar que por qualquer fronteira circule milhares de caminhões transportando comida.

Ele lembra com um louvor ao estoicismo representado por Sêneca: “A felicidade não é alcançada se não podemos limitar nossos desejos e necessidades.”

Fontes e Imagens: Pensar Contemporâneo 

MERITOCRACIA É UMA BALELA

Anna Wiener, jovem escritora americana de Nova York (32 anos) que estudou sociologia, diz com todas as letras que “o conto da meritocracia na indústria tecnológica é uma balela”, autora de Uncanny Valley (“Vale da Estranheza” numa tradução livre). Ainda sem tradução para o português.

Escritora chegou à Califórnia em busca da promessa de felicidade e de que venceria “apenas” pela sua competência, se viu em um universo ferozmente competitivo e machista do Vale do Silício, o berço da tecnologia digital, onde surgiram grandes empresas como Apple e Google .

O livro é a sua própria vivência no interior do Vale do Silício, o mundo das tecnológicas e da cultura do trabalho e empreendedorismo que San Francisco exportou para o restante do planeta. Wiener, acreditava e defendia a meritocracia, mas em menos de três anos passou a ser uma apóstata. Ela fala no “conto da meritocracia, essa crença tão popular aqui de que ideias e trabalho árduo serão suficientes para fazer com que as pessoas sejam naturalmente escolhidas por seus talentos é uma das maiores balelas que já surgiram na indústria de tecnologia”.

O Vale se tornou um local anti-intelectual, acredita Wiener que recompensou a velocidade e a capacidade de monetização acima da contemplação e da pesquisa. A cultura da intelectualidade é superficial. “É movido pela filosofia gerencial e de interesse do capital. É muito interessante que os grandes pensadores do Vale do Silício sejam capitalistas de risco. Isso é muito estranho para mim, mas muito americano. É assim que se consegue que alguém como Mark Anderson se torne um pensador. E quem é Anderson? Um empreendedor que teve um trabalho muito importante com buscadores. Fez muito dinheiro quando jovem e passou para o venture capital.

Fontes e Imagens: El País

“OS POPULISTAS ESTÃO DO LADO SOMBRIO DA HISTÓRIA”

Steven Pinker, uma das grandes figuras da psicologia cognitiva e especialista no binômio mente-linguagem. Em seu novo livro, “Enlightnment Now” (Livraria Bertrand – €16,50 em inglês), volta a atacar os profissionais do apocalipse. Contra os irredutíveis que defendem que “o mundo está cada dia pior e só nós podemos salvá-lo”.

Seus livros, como “Tábula rasa” (Amazon.es – €30,40) e “Os anjos bons da nossa natureza” (Livraria Bertrand – €27,00), quebraram tantos moldes que muitos o veem como um visionário da filosofia do futuro.

Homem da ciência e do pensamento, professor em Harvard ajusta contas com os populistas e com os inimigos do progresso. E diz com todas as letras: “Os populistas se sentem inquietos diante dessa corrente gradual e inexorável que leva ao cosmopolitismo e à liberalização dos costumes”

O progresso não é uma questão subjetiva. E isso é simples de entender. A maioria das pessoas prefere viver do que morrer. Ter abundância do que a pobreza. Ter saúde do que ficar doente. Viver com segurança ao viver em perigo. Ter conhecimento a viver na ignorância. Viver numa sociedade com liberdade do que na tirania. Parker explica, “tudo isso pode ser medido e seu aumento ao longo do tempo é o que chamamos de progresso. Isso é o que precisa ser defendido”.

Nem a globalização nem os mercados empobreceram a nossa sociedade. A realidade é bem diferente. A pobreza extrema caiu 75% em 30 anos. Isso trouxe melhoria econômica, mas não mais liberdade. A liberdade econômica costuma ser acompanhada de outras formas de liberdade. 

O populismo tem uma forte base rural e uma mentalidade tribal, se estende por camadas menos cultas da sociedade. Sentem a hostilidade em relação às instituições, procuram um líder natural que expresse a pureza e a verdade da tribo. Custa aceitar a ideia democrática de que o governante é um guardião temporário do poder submetido a deveres e limitações.

Mas o mundo é cada vez mais urbano e educado. A geração de Trump e Bolsonaro, desaparecerá de fato, e os millennials, também conhecidos como geração Y, pouco amigos do populismo, tomarão o poder.

Há um hábito muito disseminado entre intelectuais e jornalistas que consiste em destacar apenas o negativo, em descrever o mundo como se estivesse sempre à beira da catástrofe. Mas a verdade é que muitas instituições, ainda que imperfeitas, resolvem problemas. Podem evitar guerras e reduzir a pobreza extrema. 

Fontes e Imagens: El País 

NÃO SE ADEQUAR A UMA SOCIEDADE DOENTE É UMA VIRTUDE

Nós vivemos numa sociedade pragmática e controlada, que leva a um comportamento padrão, com muitas regras e obrigações. Vivemos sempre a seguir um padrão único, como se fôssemos todos iguais. Sendo assim, a vida acaba se transformando em uma grande linha de produção, em que todos têm que fazer as mesmas coisas, ao mesmo tempo e no mesmo ritmo, de modo a tornar todos iguais, sem qualquer peculiaridade que possa definir um indivíduo de outro e, por conseguinte, torná-lo especial em relação aos demais.

Nossa sociedade hoje mata nossos sonhos e teatraliza a felicidade em vez de permitir que cada um encontre a sua própria felicidade. Somos obrigados a sorrir o tempo todo, porque não se pode jamais demonstrar fraqueza. E compactuamos com a farsa de que estamos felizes, e assim as mentiras soam como verdade.

Fontes e Imagens: Revista Prosa Verso e Arte.

QUANTO MAIS APARÊNCIA, MAIS CARÊNCIA.

Hoje em dia somos prisioneiros da ditadura da aparência, vítimas de uma sociedade de consumo em que quanto mais se tem, mais se é, fácil cair no erro de se preocupar muito em ter uma imagem social de sucesso e felicidade, esquecendo-se do nosso verdadeiro bem-estar.

Para isso as redes sociais têm “ajudado” muito, pois nos promete uma imagem social impecável, tornando nós mesmo apenas figurante neste teatro digital. 

Fontes e Imagens: Pensar Contemporaneo.