NOSSA MEMÓRIA É FALSA

Foto de Deirtre Brennam no El Pais

Muitas vezes quando vou me lembrar de alguma coisa do meu passado, busco pela minha memória, não tenho realmente certeza do que aconteceu é verdadeiro ou falso, em parte ou até mesmo na sua totalidade. Lendo uma matéria no El País, aliás, um jornal que eu adoro, pude me sentir não tão órfão em meus sentimentos. No site conheci Veronica O’Keane, psiquiatra e professora do Trinity College, em Dublin, O’Keane, propõe que “as recordações humanas são algo muito vivo e são forjadas no momento presente”. E que “não são uma memória fixa que o cérebro se limita a conservar em seus arquivos para quando for necessário acessá-los”. 

Em seu livro El Bazar de la Memoria: Cómo Construimos los Recuerdos y Cómo los Recuerdos nos Construyen (Amazon.es €21,80)(1), sem tradução em português. Ela descreve com elegância pedagógica como o corpo é receptor das sensações, como as sensações criam a memória e como a memória define as pessoas.

Achei fascinante o fato dela usar de grandes obras da literatura mundial em seu livro para explicar o funcionamento do cérebro. Fala da importância dos autores, seres humanos altamente desenvolvidos, que dedicaram suas vidas a um processo de introspeção e alcançaram o fundo de sua própria consciência, pela via literária. Um dos exemplos incríveis é o dramaturgo Samuel Beckett, do teatro do absurdo, materializada na genial peça, “Esperando Godot” (Amazon.com.br – R $34,43). Capaz de criar um mundo em que não há âncoras, em que não há tempo, espaço e às vezes nem sequer há pessoas. 

  1. Em tempo: mais uma vergonha brasileira, falta cultura e conhecimento, este livro em capa comum na Anazom.com.br custa a bagatela de R$ 620,00 (Amazom.com.br) ou seja €100,97. e 500% de acréscimo. 

Fontes e imagens: El Pais

MON ONCLE: UM DOS MEUS FILMES PREFERIDO.

A mais de 50 anos eu assisti este clássico do cinema mundial do diretor, roteirista, ator e algumas “coisitas” a mais Jacques Tati.Mon Oncle”, um filme francês de 1958, colorido, resume muito bem a arquitetura e a cidade de meados do século XX, pelo menos em ambas extremidades mais reconhecíveis. O filme de Jacques Tati mostra o contraste entre dois mundos, o moderno, exagerado por um otimismo futurista, e o tradicional, representado pelo bairro antigo e popular de um dos arrondissement de Paris. Estes dois mundos são representados no filme de Tati, o elo de  ligação entre esses dois mundos completamente diferentes, é uma criança, um dos personagens mais interessantes. O tio da criança, Monsieur Hulot, que vive na parte antiga da cidade e a irmã de Hulot, mãe da criança, é casado com Arpel, um fabricante de plásticos de sucesso, que vive no bairro da moda, em uma casa moderna e tem uma família moderna. 

Enquanto a “eficiência” parece ser a palavra que expressa a casa moderna, com seus aparelhos eletrônicos  controlados à distância e os eletrodomésticos onipresentes na vida familiar; é a “ineficiência”, a que é retratada no bairro antigo, onde ninguém parece fazer o que deve fazer: o verdureiro vende numa  mesa de um bar a  50 metros da verdureira, o varredor não varre, etc. 

Cada vez mais que eu vivo, mais tenho certeza, que para mim a maneira de viver tem que ter mais “ineficiência” do antigo e menos “eficiência” do moderno, apenas umas pinceladas bem dosadas. E, vamos em busca da felicidade!

Fontes e Imagens: Archdaily

CASA EM DOIS VOLUMES

Fotos de Julio Feroz.

Vi recentemente este projeto minimalista da arquiteta local Marina Senabre, e designer gráfica que fundou seu estúdio homônimo em 2012. A casa fica na ilha mediterrânea de Menorca, formada por dois prédios. Os dois volumes brancos com grandes aberturas quadradas que emolduram vistas para o campo “como obras de arte na parede”.

Um é um prédio retangular comprido com um telhado de cascalho plano, enquanto o outro é uma unidade menor de duas águas coberta com telhas de terracota reciclada.

Bem dentro do espírito minimalista a arquiteta propôs: “Não há lugar para enfeites, a casa valoriza o conceito, a proporção e a simplicidade”.

Os espaços da cozinha, sala de jantar e sala de estar estão alojados no volume maior, e no outro volume os quartos e banheiros. No seu interior, as paredes brancas combinam com pisos claros, detalhes em madeira e móveis simples, incluindo uma mesa de centro de madeira rústica e um sofá branco.

Adorei este projeto que sem dúvida vai servir de inspiração para a minha próxima casa. que quero construir também em volumes separados, mas de construção modular em steel frame ou contentores marítimos reciclados.

Fontes e Imagens: Dezeen

TECNOFEUDALISMO: O DOMÍNIO DAS MEGAS-PLATAFORMAS

Tecnofeudalismo, termo criado por Cédric Duran, economista francês e professor na Sorbonne, é um especialista na organização da economia mundial e da dinâmica do capitalismo: empresas multinacionais, deslocalizações, globalização, cadeias mundiais de produção. Duran criou este termo para explicar o domínio das mega-plataformas como a Google, Uber, AirBnB, entre outras, que em breve, pode não haver vida econômica fora do território dos gigantes. Estes gigantes criaram dependência e controle muito mais graves que os da era industrial. As novas tecnologias são completamente o contrário do que prometem.

O mito do Vale do Silício se derrete diante de nós: acumulação escandalosa de lucros, tecnoditadores, desigualdades sociais incabíveis, desemprego crônico, milhões de pobres adicionais e um punhado de tecno-oligarcas que acumulam fortunas jamais vistas. A tão badalada “nova economia” deu lugar a uma economia da dominação e desigualdade.

Durand, em seu livro, projeta uma viagem na contramão, uma desconstrução dos mitos tecnológicos: a digitalização do mundo não conduziu ao progresso humano, mas a uma gigantesca regressão em todos os âmbitos: restauração dos monopólios, dependência, manipulação política, privilégios e uma tarefa de predação global são a identidade verdadeira da nova economia.

Fontes e Imagens: Outras palavras

VIAJAR SOZINHA NA AMÉRICA DO SUL, COM 80 ANOS

Hoje vejo como iria facilitar para um nômade digital “levar” a sua própria casa, como o caracol. Os aluguéis por temporada nas pequenas cidades são muito caros e imóveis para alugar por mais tempo, mínimo seis meses, tem várias garantias. Sobram os quartos em casas de família, cada vez mais raros hoje em dia. Além do fato que tu és, sempre olhado como um aventureiro pelos habitantes locais. 

Estou vivendo esta experiência com 71 anos. Adorei essa bisavó argentina, Sara Vallejos, que começou a sua “aventura” com 80 anos e, ao longo desses dois anos, já rodou quase 100 mil quilômetros.

Sara vendeu sua casa e seu carro e comprou um motorhome para realizar o sonho de viajar pela América do Sul por terra, sem destino pelo continente e sozinha. Até os seus 44 anos fez tudo igual à maioria das mulheres da sua época, casou  jovem, teve três filhos, cuidou deles e do marido, educou, cozinhou e passou suas roupas. Mas os filhos cresceram,  foram para a universidade e depois de 45 anos casados ela se separou. Ficou sozinha.

Sara foi à luta, se formou na faculdade em inglês, arrumou um emprego como professora na província de Tucumán. Aposentou em 2012, a partir daí, ela fez de tudo: viajou, montou um restaurante em sua casa, uma livraria móvel e delivery de comidas.

Depois disso, surgiu a ideia de viajar pela América do Sul de motorhome. A expedição começou pelo Uruguai e depois Sara veio para o Brasil, percorreu de ponta a ponta. Na maioria do tempo ela viaja sozinha, mas busca amigos e caronas pelo caminho.  Mas não cede o volante a ninguém.

Sara aprendeu a viver de forma simples e desapegada de bens materiais porque no motorhome só cabe o necessário, nada extra.
Fontes e Imagens: Infobae, Esse mundo é nosso

MORAR NO INTERIOR DE PORTUGAL

Já faz mais de três décadas que busco morar em cidades pequenas, morei na Armação do Búzios (por volta de 15.000 habitantes na década de 90), no estado do Rio de Janeiro, Brasil, em Saint Tropez (5.400 habitantes hoje) na França, Pirenópolis (16.000 habitantes em 2.000) , no Goiás, também Brasil e agora busco uma cidade na serra gaúcha na região de Canela ou São Francisco de Paula.

As vantagens de morar no interior, numa cidade pequena, estão a qualidade de vida, a segurança,  a vida mais tranquila, sem estresse e com um custo de vida mais baixo. Poder se deslocar a pé ou de bicicleta, respirar um ar puro, ter uma alimentação mais saudável com produtos comprados diretos dos produtores. 

Com a minha nacionalidade portuguesa, pretendo viver na terra de Camões, e buscar uma linda aldeia num comcelho bem no interior em uma das cinco regiões de Portugal.

Diferente da Pátria Amada Brasil, com a típica indiferença dos governos a interiorização da população brasileira, Portugal sensível a importância de um interior forte cria vários incentivos para morarmos no interior. Tem apoio de formação técnica e administrativa para novos negócios e financeiro para os moradores do interior, podendo chegar a quase € 5.000,00. Ainda maior para cidadãos portugueses que residam no exterior e que queiram retornar ao país, para morar no interior com a família. Estes programas de incentivos visam ativar a mobilidade e o emprego no interior de Portugal, em regiões pouco povoadas.  

O ideal para mim seria morar 6 meses em Portugal, no Alentejo e 6 meses no Brasil na Serra Gaúcha. Como estou construindo uma nova vida e agora também com uma nova família, sem dúvida, bem acompanhado sempre será mais fácil viver os prazeres e as dificuldades em novas terras.

Fontes e Imagens: Carlos Pojo Rego

SACOS HERMÉTICOS PARA GUARDAR ALIMENTOS

Recebi um presente da minha amiga Liane de São Leopoldo, são uns incríveis sacos herméticos Ziplock Organizador, mas eu vi à venda no sítio da Bela Charme, um conjunto com 10 peças por R $59,90. Este kit tem 3 tamanhos de sacos (3 grandes, 4 médios e 3 pequenos).

Trata-se de um envelope de plástico com fecho e com uma foto de um pote de vidro com tampa hermética impressa nele. Um barato, quando ele está vazio, fica fino e cabe facilmente nas minhas mochilas. 

A ideia é não transportar os insumos de alimentos, sempre comprar em pequenas quantidades para serem consumidas enquanto estamos parados, morando em um lugar. Assim sempre os sacos estarão vazios e finos como um envelope.

Fontes e Imagens: Carlos Pojo Rego

COMO É DIFÍCIL VIAJAR NO BRASIL

Estou querendo ir a dois lugares: um no Rio Grande do Sul e outro em Santa Catarina. O primeiro é Cambará do Sul para conhecer o Cânion de Itaimbezinho, no Parque Nacional de Aparados da Serra, e outro é ver os saltos gigantes  das encantadoras baleias Franca nos seus rituais de acasalamento. Em Garopaba, um dos melhores lugares para avistá-las.

As baleias ficam para o mês que vem. Nesse mês vou para os paredões verticais de Itaimbezinho com seus 700 metros de profundidade. Como não tenho mais carro, faço minhas viagens de ônibus. Pela pandemia ou não, os horários de ônibus são poucos e desencontrados, praticamente impossibilitando viajar os 163 km entre São Leopoldo, que eu estou, até Cambará do Sul em um único dia. Fiz várias pesquisas no Google e não consegui fechar o roteiro. 

Uma opção era alugar um carro em São Leopoldo e viajar para o cânion. Consegui uma empresa que alugaria por duas diárias (24 horas), seguro, quilômetros rodados, seguro e combustível por R $435,00. Mais as refeições e hospedagens totalizam R $620,00.

Outra seria ir através de uma agência de viagem, o primeiro orçamento foi R $750,00 mais a hospedagem de dois dias. Muito caro para o meu orçamento. Vou continuar procurando para poder ir a um lugar tão bonito. Ou vou de ônibus até São Francisco de Paula e de lá vou, “ainda não sei como”, para o meu passeio.

O turismo no Brasil é uma grande tragédia. Sem dúvida é por isso que só temos 6,3 milhões de turistas estrangeiro por ano, só a cidade de Buenos Aires na Argentina tem como visitantes a metade do número de turistas que vêm para todo o Brasil. Muito triste.

Opá … parece que tem novidades. Através de uma dica da Victória, a bonita filha dos meus amigos Liane e Chico. Ela me falou numa agência, a Triptri de Porto Alegre, no Rio Grande do Sul, que fazia o roteiro que eu queria, em grupo, tipo bate e volta, 1 dia para ver o cânion. Bem, entrei no site e pimba – o ônibus passa por São Leopoldo, me pega num posto de gasolina e eu pago R $89,90, já comprei uma para o dia 24/07, sábado.

Acho que vi uma fraca luz no final do túnel. Sou um eterno otimista …

Fontes e Imagens: Carlos Pojo Rego

ANDANTE DIGITAL A MINHA VERSÃO DO “NOMADLAND”

Falando novamente sobre o livro Nomadland (Amazon por R$41,90 + frete), que eu estou lendo, o filme como mesmo nome, foi baseado nele e conta a saga de americanos que vagam pelos Estados Unidos em velhas vans, pipocando de cidade em cidade a busca de empregos temporários para completar suas insuficientes ou até nenhuma aposentadorias.

Resultado de uma América doente, gananciosa e injusta. Por aqui no Brasil, em nada diferente da realidade que o filme relata, eu decidi, viver a minha versão da Nomadland. Com minha pequena aposentadoria que me sobra R $1.300,00 (€210), depois de pagar os meus empréstimos consignados, vou viver como um nômade moderno, mas, infelizmente ainda, sem as velhas Vans dormitório americanas. A andar e viajar de ônibus, morando em quartos alugados em casas de famílias e permanecendo em pequenas cidades (Morro Reuter, Picada Café) e às vezes por necessidade em médias cidades (São Leopoldo) pelo Brasil.  Mas, sempre fugindo das grandes cidades. No ano que vem (2022), se tudo correr bem com a minha nacionalidade portuguesa, também, vou ser um nômade digital no meu Portugal querido.

Adoro a leitura e vou utilizá-la como a minha principal forma de continuar a minha educação. Manter-me informado e resistente a esta sociedade brasileira que infelizmente também está muito doente. 

Esta semana, numa praça no centro de São Leopoldo, Rio Grande do Sul, passei horas me deliciando com o passar das páginas desta realidade que as letras mostram da vida dos sobreviventes do falso sonho americano acordados em pleno século XXI.

Uma lista, não finalizada, em ordem alfabética dos livros que eu acho que todos deveriam ler, que vou reler um por mês (- mês/ano):
1) “Admiravel Mundo Novo” por Aldous Huxley (1894/1963)
2) “Banquete” por Platão (347 a.C.‎/‎427 a.C.)
3) “Cem Anos de Solidão” por Gabriel García Márquez (1927/2014)
4) “Crime e Castigo” por Fiódor Dostoiévski (????/1881)
5) “Demian” por Hermann Hesse (1877/1962)
6) “Dom Casmurro” por Machado de Assis (1839/1908)
7) “Dom Quixote de la Mancha” por Miguel de Cervantes (1547/1616)
8) “Ensaio Sobre a Cegueira” por José Saramago (1922/2010)
9) “Grande Sertão: Veredas” por João Guimarães Rosa (1908/1967)
10) “Hamlet” por Willian Shakespeare (1564/1616)
11) “Mrs. Dalloway” por Virginia Woolf
12) “Nomadland” por Jessica Bruder (????/ ) – julho/2021
13) “Morte em Veneza” por Thomas Mann
14) “O Processo” por Franz Kafka
15) “O Apanhador no Campo de Centeio” por J.D. Salinger (1919/2010) – agosto/2021
16) “On the road: Pé na Estrada” por Jack Kerouac
17) “O Sol é para Todos” por Harper Lee
18) “1984” por George Orwell (
19) “Você fica tão sozinho às vezes que até faz sentido” por Charles Bukowski











Fontes e Imagens: Carlos Pojo Rego

UMA MANEIRA EMERGENCIAL DE LAVAR AS MINHAS ROUPA

Hoje vou mostrar uma opção para lavar minhas roupas. As cuecas e meias lavo todos os dias no banheiro do quarto onde moro. Para lavar as calças, camisetas e suéter, eu posso usar o tanque e/ou a máquina de lavar roupa da minha moradia (melhor custo-benefício) ou nas lavanderias de self service.

Estas últimas, são as lavanderias de autosserviço, que você mesmo lava e seca as suas roupas. Normalmente elas só existem nas cidades médias e grandes. Por exemplo, em Morro Reuter (6.513 habitantes) não tem nenhuma, mas já em São Leopoldo (238.648 habitantes), ambas no Rio Grande do Sul, tem algumas opções.

Procurei no Google e achei duas na mesma rua do restaurante (Villa D’Assisi) dos meus amigos,  Liane e Chico. A Fast Clean Lavanderia com os preços para 7 quilos de roupa, R $22,00 para lavar e R $14,00 para secar e a outra a Lavanderia Up Clean, para 10 kg de roupas, R $19,00 para lavar e R $19,00 para secar, os preço são da internet. Vou visitar as duas e escolher a com menor custo benefício. 

Escolhi a Up Clean, que está instalada em um contentor marítimo de 20 pés e é totalmente automatizada, para uso de cartão de crédito/débito para o fazer o pagamento. O tempo de espera é de 35 minutos para lavar e 45 minutos para secar. 

O maior “problema” deste tipo de lavanderia é o preço. Mas ainda é bem mais em conta do que uma lavanderia tradicional que cobra por peça. Como só tenho roupas para uma semana, teria de lavá-las quatro vezes por mês a um custo total de R $152,00 mensal. Sem dúvida muito dispendioso para o meu orçamento de um salário mínimo brasileiro mensal (R $1.100,00). Só poderia usá-la em situação que não consiga lavar em casa, por uma razão de  emergência, máquina de lavar roupa quebrada sem água, ou ainda no caso que esteja em viagem.

Como já estava ficando sem roupa e a máquina de lavar roupa da casa que eu moro está quebrada, foi a solução encontrada.

Roupa e Imagens: Carlos Pojo Rego