VOLTAR PARA O CAMPO

Foto: Jasmin Chew no Pexels

O fenômeno mundial de uma utopia urgente de voltar para o campo. Deixar as grandes e médias cidades com a complexidade urbana e viver na zona rural.

Com a pandemia e a recomendação da adesão ao home office para todos os setores, com uma grande percentual que querem evitar de voltar para os escritórios, também cresceu o número de pessoas que fugiram para o meio do mato.

Este êxodo urbano tem na Espanha e em grande parte do mundo moderno uma participação de muitas famílias levando em conta a felicidade descrita por aqueles que puderam viver esta transformação. 

Na Espanha, várias prefeituras de pequenos municípios aproveitam a oportunidade para tentar a atrair população jovem com boa Internet; há também dados que apontam, no país europeu, o aumento da procura de casas em municípios espanhóis com menos de 5.000 habitantes, como mostra o site Idealista (14,8% do total em novembro contra 10,1% em janeiro de 2020); e o total de pedidos registrados pelo Projeto Arraigo para se mudar a um povoado: 2.000 em 10 meses, o mesmo que nos quatro anos anteriores, quando foi criada a iniciativa de ajuda à repovoação.

Há vários fatores que justificam a fuga para o campo. Mais contato com a natureza, menos contato com os problemas das grandes cidades (mais caras, mais desiguais, mais saturadas), deixar o vício dos celulares e toda essa convulsão existencial que vem sendo o século XXI e que deixa o ser humano sem poder respirar. 

Fontes e Imagens: El país

PROFESSORE(A)S DE HISTÓRIA SÃO DOUTRINADORES?

Fundamental entender que a histórias das sociedades, em todos os tempos, estão cheias de doutrinas.  Assim, não é possível conhecer uma sociedade do passado sem passar pelas doutrinas que a nortearam. Por isso que as aulas de História devem ensinar as diversas doutrinas que existem no mundo, com seus inúmeros sistemas de pensamento e formas de entender a realidade.

Faz parte do currículo escolar de História explicar aos alunos o que são “doutrinas”. Uma doutrina, a sociedade está cheio delas, consiste em um “conjunto coerente de ideias de um sistema filosófico, político, religioso ou econômico a serem transmitidas ou ensinadas” (conforme os dicionários da Língua Portuguesa). Cada doutrina, com o seu corpo de ideias, tem uma interpretação das coisas, seja no âmbito político, religioso, econômico entre outros. 

Aqueles que acusam os professores de história de doutrinação continuam acreditando, como alguns historiadores do século XIX, que é possível escrever a história como “ela realmente aconteceu”. Em outras palavras, acreditam que existe uma forma de ir ao passado e produzir sobre ele uma narrativa que seja puramente descritiva, sem qualquer tipo de mediação, sem qualquer interferência de natureza política ou ideológica, quase como um computador.

Isso simplesmente não existe. Hoje a “nova história” foi corrigir um enorme erro nas narrativas que eram ensinadas aos alunos e alunas no passado. Ela trouxe diálogo e múltiplos olhares para sala de aula, tornando o ensino de história muito mais interessante e próximo da realidade dos alunos. E, não há nada de doutrinação nisso.      

Fontes e Imagens: Café  história

MITO DA RECICLAGEM INFINITA ESTIMULA O CONSUMO

A reciclagem é uma grande enganação e como a economia circular se tornou o álibi da indústria descartável. Apesar de sempre achar que a reciclagem é um embuste, fiquei feliz com a reflexão da diretora da organização Zero Waste France, Flore Berlingen, autora do livro “Recyclage, le grand enfumage: comment l’économie circulaire est devenue l’alibi du jetable”, (na Amazon.fr a 20€) ainda sem tradução para o português.

“Na realidade, deveríamos estar reduzindo a quantidade de coisas que consumimos e jogamos fora. A prioridade é a prevenção, ou seja, a diminuição do lixo na sua origem. Mas, infelizmente, o mundo tem se focado na solução da reciclagem deste lixo – talvez porque essa seja a solução mais fácil, ou talvez porque essa indústria também se tornou rentável”, afirma a ativista, em entrevista ao programa C’est Pas du Vent, da RFI.

O livro constata que, em vez de estimular um círculo virtuoso baseado na consciência sobre a escassez dos recursos naturais, a reciclagem acabou por livrar o peso da consciência dos consumidores: basta colocar tudo no lixo reciclável e podemos voltar a comprar mais.

Fontes e Imagens: RFI