ECONOMIA CIRCULAR, UMA ENGANAÇÃO?

Foto de Kelly Lacy no Pexels

O ser humano é a única espécie do planeta que gera lixo. Só de plástico das garrafas PET produzimos 50 milhões de toneladas por ano, sem contar com todos os outros resíduos inutilizados e potencialmente tóxicos para nós e para o meio ambiente. Desde o começo da espécie humana adotamos um modelo produtivo – a Economia Linear, fundamentado no processo de “extrair–produzir-descartar”. 

Surge então a Economia Circular, uma perspectiva econômica que beneficia o meio ambiente e à sociedade, e sua principal ferramenta o conceito “do berço ao berço” (Cradle to Cradle, em inglês). 

Nesta nova proposta econômica, o valor dos recursos extraídos e produzidos permaneça em circulação por meio de cadeias produtivas intencionais e integradas, aproveitando seu máximo valor e utilidade. Desta forma, o destino final dos produtos é pensado no design de produtos e sistemas, não sendo mais apenas uma questão de gerenciamento de resíduos.

De acordo com o conceito, o design industrial deve processar, de acordo com o Berço ao Berço (Cradle to Cradle), separadamente os nutrientes biológicos, materiais biodegradáveis, dos nutrientes técnicos, que correspondem aos recursos que não são produzidos de forma contínua pela biosfera, como metais e plásticos. Esses dois tipos de nutrientes devem ser aproveitados de forma contínua nos processos industriais, sem perda de qualidade.

Porém ambos os conceitos mantêm e até estimulam, no caso da economia circular por trazer “a solução” dos graves problemas socioambientais de descarte e, continuam a pressionar a extração de recursos naturais oferecendo ameaça de esgotamento desses recursos e eleva gradativamente os custos de extração, como o nióbio (Brasil tem as maiores jazidas mundiais) metal utilizado para as novas baterias dos veículos elétricos.

Porém a economia circular exige um investimento impensável de conhecimento tecnológico e financeiro para um mundo, com seus 7,8 bilhões de habitantes (2020), cada vez mais separado entre os muitos ricos e os muito pobres. Os 2.153 bilionários do planeta possuem uma renda igual à de 4,6 bilhões de pessoas. Voltando às garrafas PET, a triste realidade do “mito da reciclagem plena”, hoje apenas 18% são recicladas. 

Conheça o livro de Flore Berlingen, “Recyclage, le grand enfumage: comment l’économie circulaire est devenue l’alibi du jetable”, (Amazon.fr a 10€). Berlingen escreve que a reciclagem é uma grande enganação e como a economia circular se tornou o álibi da indústria descartável. Vale a pena (para quem fala francês, ainda sem tradução para o português) conhecer a reflexão da diretora da organização Zero Waste France, sobre o assunto.

Fontes e Imagens: Auto sustentável, Andante Digital.

MOBILIZE: FAMÍLIA DE VEÍCULOS ELÉTRICOS DA RENAULT

A família Mobilize com o conceito EZ-1 da Renault, tem três modelos,  Duo, Bento e Hippo, destinados aos serviços de compartilhamento e entregas urbanas.

A Mobilize é um braço da Renault que oferece serviços de mobilidade nas cidades através de veículos compartilhados e além disso tem foco na economia circular, trabalhando em como dar uma segunda vida às baterias, reciclá-las e desenvolver plataformas de última geração para o gerenciamento dessas novas demandas.

Mobilize DUO: um carro elétrico de passageiros de dois lugares para o serviço próprio de compartilhamento. Pode acomodar duas pessoas. A marca francesa anunciou que o modelo é até 95% reciclável.

Mobilize BENTO é uma variante de carga baseado no DUO e possui um compartimento de carga com volume de um metro cúbico.

Mobilize HIPPO é um pequeno veículo elétrico para entrega de mercadorias em áreas onde a circulação de veículos com motores a combustão é proibida, como em armazéns fechados ou em regiões centrais das cidades. O pequeno veículo elétrico pode transportar até três metros cúbicos de carga com peso de até 200 quilos.

Os veículos serão equipados com uma a quatro baterias com capacidade de 2,3 kWh a 9,2 kWh. 

Fontes e Imagens: Insideevs 

MITO DA RECICLAGEM INFINITA ESTIMULA O CONSUMO

A reciclagem é uma grande enganação e como a economia circular se tornou o álibi da indústria descartável. Apesar de sempre achar que a reciclagem é um embuste, fiquei feliz com a reflexão da diretora da organização Zero Waste France, Flore Berlingen, autora do livro “Recyclage, le grand enfumage: comment l’économie circulaire est devenue l’alibi du jetable”, (na Amazon.fr a 20€) ainda sem tradução para o português.

“Na realidade, deveríamos estar reduzindo a quantidade de coisas que consumimos e jogamos fora. A prioridade é a prevenção, ou seja, a diminuição do lixo na sua origem. Mas, infelizmente, o mundo tem se focado na solução da reciclagem deste lixo – talvez porque essa seja a solução mais fácil, ou talvez porque essa indústria também se tornou rentável”, afirma a ativista, em entrevista ao programa C’est Pas du Vent, da RFI.

O livro constata que, em vez de estimular um círculo virtuoso baseado na consciência sobre a escassez dos recursos naturais, a reciclagem acabou por livrar o peso da consciência dos consumidores: basta colocar tudo no lixo reciclável e podemos voltar a comprar mais.

Fontes e Imagens: RFI